sexta-feira, abril 03, 2009

Sepação Litigiosa



Esta tarde me peguei pensando em uma das instituições mais antigas e sagradas que de que se tem notícia: o casamento. Não, não estava refletindo sobre o matrimônio em si, ou sob os aspectos que ele representa na vida de um indivíduo, mas na necessidade que ele sugere na vida de alguns (tá, eu confesso, me incluo nesse ‘alguns’).

Passei algumas horas imaginando a razão para que um homem e uma mulher, em sã consciência, resolvessem emaranhar suas vidas, às vezes abandonando seu sonhos, para viverem juntos, unidos por um laço que, teoricamente, seria eterno. Uma única resposta veio à minha mente: o medo de continuar só!

Passei então a pesquisar sobre o assunto, na ânsia de querer comprovar essa teoria que acabara de me ocorrer e fiquei surpreso ao ver que não era o único que pensava assim. Me deparei com uma frase fantástica que acabou por ratificar esse meu pensamento:

"O pavor da solidão é maior que o medo da escravidão: assim, nos casamos".
(C. Connolly)

Abrimos mão dos nossos sonhos, da nossa liberdade e até da nossa própria vida pelo medo que a solidão nos causa. Claro que isso não é uma regra geral, mas não poderia ser considerada de todo errada.

O pior é quando essa ‘prisão consensual’ passa a causar mais medo do que a própria solidão. Quando isso acontece, percebemos que a separação é algo muito mais difícil e doloroso do que se podia imaginar. Não existe separação sem mágoas, sem culpados, sem rancores, por mais que ambos estejam certos de que é o melhor a se fazer. O mais interessante é que, enquanto essa ‘dor’ persistir, não se pode vislumbrar o efeito benéfico desse ‘habeas corpus’ marital.

Falo por experiência própria que um dos melhores remédios para uma relação complicada e comprometida é o rompimento, seja ele doloroso ou não. Afinal, já dizia a vovó, “o que arde cura”. Hoje posso concordar com esse sábio conselho.

Gosto de pensar que muitos como eu (sim, eu prefiro achar que não errei sozinho...rs) tiveram algum relacionamento afetivo que no começo parecia maravilhoso, mas que com o passar dos meses (às vezes dias) provou-se ser uma decisão precipitada e catastrófica.

Também gosto de pensar que, em qualquer relacionamento (e mais especificamente no casamento) o casal sempre quer muito que as coisas saiam bem, mas existes forças contra as quais não se pode lutar. Neste caso, acreditem, a separação é dolorosa, mas o tempo acaba se encarregando de mostrar que é a decisão acertada.

Não é raro que casais separados se tornam grandes amigos. Às vezes até saem juntos. Acabam até se ajudando nas crises. Quando isso ocorre, percebe-se que o casamento foi um entrave numa amizade muito especial. Cabe, então, recuperar a lacuna que ele deixou.

Mais uma vez, o fracasso no casamento não é uma regra geral, mas por vezes a amizade que ficou se mostra muito mais benéfica e especial que qualquer outro vínculo. Naturalmente, essa percepção não é imediata, mas não há nada que o tempo não possa ajustar.

Bom seria se conhecêssemos o desfecho antes do ‘primeiro ato’, mas a graça não seria a mesma.

Como diz um antigo provérbio chinês: “a experiência é uma professora severa, porque dá o teste primeiro e a lição depois”.

Fraternais Abraços.

4 Quem ama Comeeeennnttaaaaa:

Anonymous Milena said...

Será que adiantaria conhecer o desfecho? Quantos de nós aprende pela observação e experiência alheia? Creio que, mesmo sabendo o desfecho, e no fundo nós sabemos (e é sempre o mesmo), caimos na armaldilha como patos e cairemos mil vezes caso haja oportunidade! Lamentável, mas é como somos. Seja por medo, insegurança, necessidade de risco, ou seja lá qual for o motivo. Adorei o texto.

2:46 PM  
Blogger Porthus said...

Milena...
Obrigado pelo comentário. Concordo com você quando diz que, no fundo, nós sabemos qual o desfecho. E acredito que, ainda que tivéssemos certeza absoluta de como seria o fim, embarcaríamos no risco.
Beijos e fique à vontade para voltar quando quiser.
Ricardo "Porthus".

11:27 PM  
Blogger O Herege said...

Amigo Porthus, você só fala merdinha...
Eu, por exemplo, quando me casei descobrí o que era a verdadeira felicidade....Pena que aí já era tarde demais.

Abraços.

3:40 PM  
Anonymous Paulla Mel said...

Pior é quando a pesoa resolve correr esse "risco" mais de uma vez.
Minha irmã casou 3 vezes e não aprende. Ela sabe o desfecho, mas continua apostando todas as suas fichas num novo casamento. Assim como apostamos em outros relacionamentos. Independente do risco, do desfecho, o ser humano precisa se relacionar. Esta é a verdade.

12:19 AM  

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